A queda de cabelo que assusta: também conhecida como Eflúvio Telógeno Agudo

O eflúvio telógeno agudo é uma forma de queda capilar difusa, não cicatricial e potencialmente reversível, caracterizada pelo aumento abrupto do número de fios de cabelo que entram simultaneamente na fase de queda do ciclo capilar, denominada fase telógena (fase de repouso). Trata-se de uma das causas mais frequentes de queda de cabelo observadas na prática dermatológica, acometendo homens e mulheres de todas as idades, com maior prevalência no sexo feminino

O eflúvio telógeno não é considerado uma doença primária do fio, mas sim uma resposta do folículo piloso (estrutura que produz o cabelo) a um evento desencadeante sistêmico, metabólico, emocional ou inflamatório que altera o equilíbrio normal do ciclo capilar.

Em condições normais (fisiológicas), cerca de 85 a 90% dos fios encontram-se na fase anágena (fase de crescimento), enquanto 10 a 15% estão na fase telógena (fase de repouso/ queda). No eflúvio telógeno agudo, ocorre um deslocamento sincronizado de grande número de folículos da fase anágena para a fase telógena, culminando em queda intensa e perceptível aproximadamente 2 a 3 meses após o fator desencadeante.

O Ciclo do cabelo e as causas do eflúvio telógeno:

Para compreender o eflúvio telógeno, é fundamental entender o ciclo do cabelo, que é dividido em três fases principais:
• Fase anágena (crescimento): dura de 2 a 6 anos
• Fase catágena (involução): dura cerca de 2 a 3 semanas
• Fase telógena (repouso/ queda): dura aproximadamente 2 a 3 meses

O eflúvio telógeno ocorre quando um estressor significativo interrompe precocemente a fase anágena, levando os fios a entrarem antecipadamente na fase telógena. Como a queda do fio telógeno ocorre apenas ao final dessa fase, o paciente não percebe a queda imediatamente, mas sim semanas ou meses após o evento causal.

3. Principais gatilhos do eflúvio telógeno agudo e seus mecanismos

3.1 Estresse físico agudo:
Eventos como cirurgias, internações, infecções febris, traumas e doenças sistêmicas agudas são causas clássicas de eflúvio telógeno. A febre e o estado inflamatório sistêmico alteram a liberação de citocinas inflamatórias (substâncias químicas envolvidas na resposta imune), interferindo diretamente na atividade do folículo piloso.

3.2 Estresse emocional intenso:
O estresse psicológico importante — como luto, ansiedade severa, crises emocionais ou eventos traumáticos — pode desencadear o eflúvio telógeno por meio da ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, levando ao aumento do cortisol (hormônio do estresse). O cortisol exerce efeito negativo sobre a proliferação das células da matriz capilar.

3.3 Alterações hormonais:
Mudanças hormonais abruptas, como o pós-parto, suspensão ou início de anticoncepcionais hormonais, distúrbios da tireoide (hipo ou hipertireoidismo) e alterações androgênicas, são causas frequentes. No pós-parto, por exemplo, ocorre queda dos níveis de estrogênio, que anteriormente mantinham os fios prolongadamente na fase anágena.

3.4 Deficiências nutricionais:
Carências de ferro, zinco, proteínas e vitaminas do complexo B e D estão bem documentadas como fatores desencadeantes. O folículo piloso possui alta taxa de proliferação celular e, portanto, é extremamente sensível a déficits nutricionais.

3.5 Medicamentos:
Diversos fármacos podem induzir eflúvio telógeno, como retinoides, anticoagulantes, betabloqueadores, antidepressivos e anticonvulsivantes. O mecanismo envolve interferência direta no ciclo celular do folículo ou alteração metabólica sistêmica.

4. Sinais e sintomas
O principal sintoma do eflúvio telógeno agudo é a queda capilar intensa e difusa, percebida ao lavar ou pentear os cabelos, no travesseiro ou no ralo do banheiro. Os pacientes frequentemente relatam:
• Aumento súbito da quantidade de fios caindo
• Redução do volume capilar
• Rarefacao visual dos cabelos, principalmente na região das entradasPresença de fios com bulbo esbranquiçado na extremidade (fio telógeno)

5. Diagnóstico correto do eflúvio telógeno agudo:
O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado em uma história detalhada (anamnese) e no exame físico cuidadoso.

No exame do couro cabeludo, observa-se densidade global preservada, sem sinais inflamatórios ou cicatriciais. O teste de tração (pull test) costuma ser positivo, com saída de mais de 10% dos fios tracionados, predominando fios telógenos.

5.3 Tricoscopia:
A tricoscopia (dermatoscopia do couro cabeludo) auxilia no diagnóstico diferencial, mostrando aumento da proporção de fios telógenos, sem miniaturização significativa ou variação importante do diâmetro dos fios, achados que afastam alopecia androgenética isolada.

5.4 Exames laboratoriais:
Os exames laboratoriais não são obrigatórios em todos os casos, mas são recomendados quando há suspeita de causa associada.

6. Evolução e prognóstico:
O eflúvio telógeno agudo possui prognóstico favorável. Uma vez identificado e corrigido o fator desencadeante, a queda tende a cessar, com recuperação progressiva da densidade capilar. O crescimento ocorre de forma gradual, respeitando o ciclo fisiológico do cabelo.

LEMBRE-SE: Muitos tratamentos podem ser contraindicados para algumas pessoas. Entre elas, gestantes e lactantes. Desta forma, você NUNCA deve se automedicar!

Procure um médico especializado para te auxiliar e indicar as melhores opções de tratamento para o SEU CASO. Sempre de forma única e exclusiva, de acordo com as suas necessidades.

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*Este texto possui caráter educativo e não substitui uma consulta médica.

Diretor Técnico – Médico 

Dr. Éric Aguiar.

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