Alopecia por tração: um risco silencioso nos dias de Carnaval

Durante o Carnaval, é comum escolher penteados que ajudem a enfrentar o calor, a movimentação dos blocos e as muitas horas fora de casa. Coques altos, rabos de cavalo bem firmes, tranças apertadas, cabelos presos com elásticos resistentes e acessórios rígidos parecem soluções práticas para manter tudo no lugar.

O que pouca gente percebe é que, quando essa tração se mantém por muitas horas e se repete por vários dias seguidos, o couro cabeludo e os fios podem sofrer um tipo específico de dano conhecido como alopecia por tração.

A alopecia por tração é uma forma de queda de cabelo causada pela força mecânica contínua exercida sobre os fios. Não está relacionada a hormônios, genética ou doenças internas, mas sim ao hábito de manter o cabelo excessivamente tensionado. Essa força constante puxa a haste do fio e, principalmente, o folículo capilar, que é a estrutura responsável por produzir o cabelo. Com o tempo, essa agressão repetida pode enfraquecer o folículo, provocar inflamação local e comprometer a capacidade de produzir novos fios saudáveis.

No início, os sinais são sutis e muitas vezes ignorados. Dor ao prender o cabelo, sensação de couro cabeludo repuxado, ardor na raiz e pequenas áreas avermelhadas já indicam que a tensão está além do que o couro cabeludo tolera. Em seguida, podem surgir fios quebrados próximos à raiz, afinamento dos cabelos na região frontal e nas laterais da cabeça – áreas que costumam suportar maior força nos penteados presos. Se esse hábito continua por tempo prolongado, podem aparecer falhas visíveis. Em fases mais avançadas e persistentes, a perda pode se tornar definitiva, porque o folículo, após sofrer agressão crônica, pode deixar de produzir fios.

O período do Carnaval favorece exatamente o cenário que desencadeia esse problema: penteados muito apertados por muitas horas, repetidos dia após dia. Além disso, o calor, o suor e a exposição solar deixam o couro cabeludo mais sensível, o que aumenta ainda mais a vulnerabilidade à tração. A combinação de elásticos rígidos, grampos, presilhas pesadas, tranças muito firmes e a movimentação constante da festa cria um ambiente ideal para que a alopecia por tração se instale sem que a pessoa perceba.

É importante entender que a dor não é normal. Se ao prender o cabelo existe desconforto, isso já é um sinal de alerta. O couro cabeludo não foi feito para suportar tensão contínua. Alternar os penteados, preferir versões mais soltas, usar elásticos revestidos por tecido e soltar o cabelo sempre que possível ao longo do dia são atitudes simples que reduzem significativamente o risco.

A boa notícia é que, quando identificada no início, a alopecia por tração é reversível. Ao interromper o hábito que causa a tensão, o folículo tende a se recuperar e os fios voltam a crescer gradualmente. Por isso, perceber os sinais precoces é fundamental. Já nos casos em que a tração é mantida por meses ou anos, pode ocorrer cicatrização do folículo, tornando a perda permanente.

Após o Carnaval, se houver dor persistente, áreas mais ralas, fios quebrados próximos à raiz ou sensibilidade no couro cabeludo, vale observar com atenção. Manter o cabelo solto por alguns dias, evitar penteados presos e permitir que o couro cabeludo descanse ajuda na recuperação. Caso surjam falhas visíveis ou a rarefação não melhore, a avaliação com profissional especializado é importante para orientar o tratamento adequado.

O cabelo acompanha a gente na folia, dança, calor e alegria. Cuidar da forma como ele é preso durante esses dias é uma maneira simples de garantir que, depois que esse período acabar, ele continue saudável, forte e presente – sem marcas deixadas por uma tensão que poderia ter sido evitada.

LEMBRE-SE: Muitos tratamentos podem ser contraindicados para algumas pessoas. Entre elas, gestantes e lactantes. Desta forma, você NUNCA deve se automedicar!

Procure um médico especializado para te auxiliar e indicar as melhores opções de tratamento para o SEU CASO. Sempre de forma única e exclusiva, de acordo com as suas necessidades.

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*Este texto possui caráter educativo e não substitui uma consulta médica.

Diretor Técnico – Médico 

Dr. Éric Aguiar.

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