Suplemento queridinho da performance pode acelerar a alopecia… ou isso é apenas um mito repetido sem base científica?

Se você treina, provavelmente já ouviu que creatina pode causar queda de cabelo. Mas o que realmente diz a ciência?
A creatina é uma substância produzida pelo próprio organismo e também obtida pela alimentação, ligada à produção de energia muscular. É um dos suplementos mais estudados, com perfil de segurança bem estabelecido quando usado corretamente.
A polêmica surgiu após um estudo pequeno observar aumento nos níveis de di-hidrotestosterona (DHT) em atletas que usaram creatina. O DHT é um derivado da testosterona e tem papel central na alopecia androgenética, a forma mais comum de perda de cabelo nos homens. Em pessoas geneticamente predispostas, ele pode levar à miniaturização progressiva dos fios.
Mas é essencial interpretar com cautela: o estudo mostrou aumento laboratorial de DHT – não perda de cabelo. Até o momento, não há evidência robusta nas principais diretrizes de que a creatina cause ou desencadeie alopecia androgenética. A calvície depende principalmente de dois fatores: predisposição genética e sensibilidade do folículo ao DHT. Ou seja, a genética é o verdadeiro protagonista.
Também é importante diferenciar os tipos de perda capilar. Nem toda perda capilar é calvície. O eflúvio telógeno, por exemplo, pode ocorrer após estresse físico intenso, dietas restritivas ou perda rápida de peso e até uso de alguns medicamentos – situações comuns em quem inicia rotina intensa de treinos. Muitas vezes, o suplemento é responsabilizado sem que seja a causa real.
Na prática, a avaliação especializada é o caminho mais seguro diante de sinais como afinamento progressivo ou histórico familiar de calvície. O diagnóstico correto orienta a conduta e evita decisões baseadas apenas em medo.
Em resumo: até o momento, a creatina não é considerada vilã da perda capilar pelas principais sociedades de dermatologia. Quando o assunto é cabelo, informação baseada em evidência vale mais do que alarmismo – especialmente porque estamos falando de algo que impacta diretamente a autoestima e a identidade do indivíduo.
LEMBRE-SE: Muitos tratamentos podem ser contraindicados para algumas pessoas. Entre elas, gestantes e lactantes. Desta forma, você NUNCA deve se automedicar!
Procure um médico especializado para te auxiliar e indicar as melhores opções de tratamento para o SEU CASO. Sempre de forma única e exclusiva, de acordo com as suas necessidades.
*Este texto possui caráter educativo e não substitui uma consulta médica.
Diretor Técnico – Médico
Dr. Éric Aguiar.
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